O até logo extraoficial

Ou: A festa de despedida

Como o post anterior, este também está atrasado. Talvez seja a proximidade da viagem tirando minhas palavras, ou só preguiça mesmo. Mas, mais uma vez, não sabia o que dizer desse momento: a despedida. Ou melhor, o até logo.

Despedida extraoficial, é bom ressaltar, porque foi dez dias antes da viagem. Como sabia que ainda tinha algumas pendências para resolver nesta última semana e seria um pouco improvável encontrar todos os amigos nesses dias, aproveitei para fazer uma festinha no domingo.

Chamei familiares, amigos e companheiros de trabalho e preparei (organizei as compras, na verdade) uma bela feijoada para dar o até logo no melhor estilo brasileiro. Cerveja, brega e pagode também não ficaram de fora.

A festa começou cedo, aos poucos a galera foi chegando e quando percebi já estava rodeada de queridos. Foi uma tarde massa, cheia de risadas e abraços gostosos, que com certeza farão falta nos próximos meses. Mas uma falta boa, que vai me deixar feliz de voltar para o Brasil em agosto.

Enfim, só queria agradecer a todos que fizeram o esforço de ir me ver, mesmo com o endereço errado (desculpem, não foi por mal!). É verdade que muitos eu já revi ou ainda vou rever antes de terça-feira. Mesmo assim, foi massa ver vocês nesse momento simbólico. Ah, e quem não pôde ir também está guardadinho aqui no meu coração. Vou ficar com saudade de todos, mas quero estar sempre por perto virtualmente. Jajá eu volto e quero todos esses abraços de novo!

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Em tempo, a quatro dias da viagem, a ficha finalmente caiu e já estou olhando a cidade e as pessoas de outro jeito.  Hoje fui a Olinda e parei para observar mais demoradamente cada uma daquelas casas lindas que adoro e que só vou rever em agosto. No caminho, foi a mesma coisa, até com a padaria de todos os dias.

Com as pessoas não é diferente. Aliás, é mais forte. Cada encontro e cada abraço ganhou um gostinho especial. Estou adorando tudo, mesmo com o coração ficando apertado de vez em quando, e quero ver todos que puder nesse final de semana. Então, preparem-se para me aguentar querendo mimo nos próximos dias! Mas relevem, é só saudade antecipada. 🙂

Uma pausa na vida de repórter

Demorei um bocado para escrever esse texto e ainda não sei muito bem o que dizer, mas não podia deixar de registrar a despedida do estágio. Nos últimos 14 meses, boa parte dos meus dias se passou na redação do Jornal do Commercio. Passou rápido, é verdade. Mas ao mesmo tempo trouxe tanto aprendizado, tanta coisa para contar e tanta gente querida que parece muito mais.

Ir para a redação sem saber o que me ocuparia nas próximas horas, conhecer uma história nova e trabalhar para contá-la da melhor forma possível virou um hábito. No começo era na bancada do online, depois foi na equipe de Cidades. Mas as despedidas do intercâmbio também chegaram por aqui e agora esse costume vai ter que ficar guardado por pelo menos seis meses. Quer dizer, só oficialmente, porque algumas histórias podem continuar sendo contadas por aqui, afinal, jornalista que é jornalista nunca deixa de arruar e escrever.

Minha última matéria foi publicada ontem, mas meu último dia no jornal foi na mesmo sexta-feira. Como acontece em qualquer despedida, o coração ficou pequeno na hora de dar tchau aos companheiros de batente que viraram amigos. Adiei a saída pelo tempo que foi possível. Escrevi a matéria com mais calma que o normal, passei mais tempo no café, orientei a amiga que ficou no meu lugar e finalmente sai. Antes, abracei todos que me ajudaram a aprender a ser jornalista. Poderia dizer muita coisa a cada um dos editores, repórteres, fotógrafos e designers, mas a verdade é que só pude agradecer pelo tempo e pelas pautas que dividimos.

Continuo sem saber como expressar muito bem minha admiração e gratidão, mas quero dizer que todos são incríveis e me ensinaram mais coisa do que eu poderia imaginar. Foi massa passar esse tempo com vocês, conversar, tomar café e trabalhar também. Não é novidade para ninguém que vida de jornalista não é fácil, mas a verdade é que vou sentir falta de tudo isso, talvez até das pautas complicadas que me prendiam o dia inteiro no jornal. Mas quero acreditar que foi só um até logo.

Um até logo para as pessoas e também para a rotina de repórter que me fez conhecer muita gente e ouvir muita história. Gente como Paulinho, que catava latas no Canal do Arruda; Dona Tiene, que sofria com a ideia de perder a casa em que morava há mais de 20 anos no Coque; e Denise, que passou dez dias com o braço quebrado esperando uma cirurgia. Também conheci Galo de Souza, Dona Mira e seus saquinhos de São Cosme e Damião, o pessoal do Bike Anjos e muita gente boa que ama o próximo e sua cidade. Nessas andanças, sai do Recife e passei por Olinda, Jaboatão, Paulista, Itapissuma, Cabo e Moreno. Até dentro do próprio Recife conheci muitos lugares que só tinha ouvido falar.

Cada dia era uma descoberta nova e cada descoberta me fez um pouco mais humana, mais cidadã e também mais preparada para encarar os desafios que vêm pela frente, no Além Mar e por aqui também. Obrigada por tudo, JC! Quem sabe um dia eu volte a usar esse crachá, que, como disse no Facebook, tem o nome errado e a foto feia, mas vai fazer uma falta danada.

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