Turistando em Lisboa – parte 2

No segundo dia, resolvi ir mais longe. No Cais Sodré, peguei o metro e desci quatro estações depois, no Marquês de Pombal. O metro é bem organizado e rápido, em dez minutos cheguei ao meu destino. Logo que sai da estação, me deparei com o grandioso monumento de Marquês de Pombal.

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O ícone fica em uma praça redonda rodeada de avenidas e estava vazio quando cheguei. Foi a primeira vez que encontrei um ponto turístico desocupado e aproveitei para observar tudo com calma. Fiquei impressionada com sua grandiosidade e riqueza de detalhes. É um obelisco gigante com a estátua do marquês na ponta e várias outras esculturas ao longo do seu comprimento, como cavalos e escravos. Os feitos do marquês também estão inscritos ali, inclusive a abolição dos escravos brasileiros.

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Ao redor do marquês

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Detalhe do monumento

Olhando para a frente do Marquês de Pombal, é possível ver um parque lindo: o Eduardo VII. Ele tem um jardim retangular comprido e com as plantas bem cuidadas, formando desenhos geométricos. Mas o legal mesmo são as alamedas que ficam nas laterais do jardim. Com quase um quilômetro de extensão, os passeios têm árvores e bancos dos dois lados. As árvores estavam secas e com a cara do inverno europeu.

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Alameda do parque

Deve ser um lugar legal para correr no verão, mas agora a vontade foi mesmo de sentar em um dos bancos e abrir um livro. Confesso que sentei um pouco para escrever no meu caderninho e depois continuei caminhando bem lentamente. Foi uma sensação bem difícil de explicar, mas senti uma paz interior tão grande e achei o lugar tão bonito que podia ficar horas ali.

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O jardim do parque

No final da alameda, ainda tive outra boa surpresa. Tinha visto dois obeliscos grandes de longe, mas quando cheguei lá vi que há uma fonte no meio deles. Tudo isso fica num nível acima do parque e oferece uma vista fascinante. Dá para ver o parque, a avenida, o Marquês de Pombal, a cidade e ao longe o mar. Fiquei abestalhada de novo e fiquei uns dez minutos me apaixonando por cada detalhe dali.

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A vista de cima do parque

Já tinha feito isso antes, mas agora foi diferente. Os outros lugares eram bonitos, mas eram pontos turísticos tradicionais, cheios de gente, para você passar, ficar um pouquinho, tirar foto e ir embora. Dessa vez, percebi que me sentiria feliz passando por ali constantemente, seja só de passagem, para ler, fazer um piquenique ou correr.  Depois de algum tempo, sai sabendo que aquele era meu lugar favorito até então – o Terreiro do Paço está em segundo lugar.

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Turistando no meu lugar favorito 

Mas como essa cidade não para de surpreender, ainda vi muita coisa bonita nesse dia. Continuei caminhando no sentido do Marquês de Pombal e parei em um jardim elevado que tem o formato de um semicírculo e vários bancos. Depois, encontrei uma ponte de madeira bem charmosa que dá numa pista de cooper massa. As placas diziam que a pista dava em um parque, mas era a cinco quilômetros, então deixei o passeio para outro dia, quem sabe quando eu estiver correndo por aí.

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Voltei pelo Parque Eduardo VII e fui caminhando pela Avenida da Liberdade até encontrar a entrada para o Bairro Alto. Como subi logo na primeira placa, acabei em um lugar meio deserto, mas ainda achei uma praça bem charmosa perdida por ali. Andei mais um bocado por umas ruas vazias e cheguei ao centro do bairro. Vi a Praça do Príncipe Real e andei por uma rua cheia de bares e cafés. Parei um pouco em um desses para esperar a chuva passar e continuei caminhando até chegar ao Chiado.

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Praça no Bairro Alto

Antes disso, encontrei outro miradouro, o de Santa Catarina. Essa cidade sabe que é bonita e adora oferecer vistas incríveis. Dessa vez, o céu estava com um bocado de neblina, então não deu para ver muita coisa, mas o miradouro em si já é um presente para os olhos. É um lugar bem tranquilo, com uma fonte e uma varandinha que dá para outro miradouro mais baixo, cheio de jardins. No final de tudo isso, um café para fechar o passeio com chave de ouro.

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Miradouro de Santa Catarina

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Pulei essa parte e continuei andando pelo Chiado, até que encontrei a estátua de Camões, ponto de encontro para quem vai curtir a noite no Bairro Alto. Como era sexta-feira à noite, a praça estava movimentada, assim como os bares que ficam ali por perto. Fiquei um pouco por ali sentindo o clima da noite lisboeta, mas depois voltei para o Cais Sodré. Desviei um pouco o caminho só para olhar o Teatro Nacional São Carlos e admirar as vivendas iluminadas à noite.

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Turistando em Lisboa

Ir de Almada a Lisboa é bem fácil. É só pegar um barco no cais de Cachilas e descer na primeira parada, o Cais Sodré, uns sete minutos depois. Como está inverno, o barco é fechado e só dá para aproveitar um pouco da vista pela janela. Mas já soube que no verão o barco é aberto, então você pode ficar do lado de fora vendo Lisboa se aproximar.

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O barco que vai de Almada a Lisboa

O Cais Sodré fica no centro de Lisboa e é bem próximo do Terreiro do Paço, meu primeiro destino. Conhecido também como Praça do Comércio, o terreiro tem a forma de um quadrado enorme, com uma estátua no meio. Ele é rodeado por prédios amarelos que parecem vivendas na parte de cima, mas têm arcos na parte de baixo. No térreo, há vários cafés, inclusive o famoso Martinho da Arcada, que servia de reduto para Fernando Pessoa.

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Praça do Comércio

O terreiro acaba em uma entrada para o rio Tejo, de onde se tem uma vista linda de Lisboa. O local é cheio de turistas e músicos de rua, facilmente encontráveis nos lugares mais movimentados daqui. A música, o vento e vista fazem dali um lugar massa para passar alguns minutos curtindo a vista.

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Vista do terreiro do Paço

Quando o frio chegou, fui para a agitada Rua Augusta e subi a ladeira que dá no Castelo de São Jorge. Achei o caminho com a ajuda de um português simpático que andou uns dez minutos comigo porque estava adiantado para seu compromisso e não tinha o que fazer. Ele me deixou na metade da ladeira, na Catedral da Sé, que foi construída no século XXII no estilo românico. Na frente dela, vi o primeiro mendigo daqui, que estava pedindo moedas ao lado de um pintor que tentava copiar a vista da rua que fica em frente à catedral. Perto dali, encontrei a Igreja de Santo Antônio e continuei subindo em direção ao castelo.

A Catedral da Sé

A Catedral da Sé

Antes de chegar lá, me deparei com outro lugar lindo: um miradouro cujo nome me fugiu à memória. É uma espécie de varanda para Lisboa, com alguns músicos e cafés na entrada. Mais uma vez, encontrei uma vista surpreendente da cidade. Na verdade, a mais bonita até agora, porque dá para ver as casinhas de perto e ao longe os prédios maiores. No fim da ladeira, encontrei outro músico de rua, desta vez vindo de Guiné Bissau. Ele me viu tirando foto e perguntou de onde era, gostou de mim e me deu uma pusseira de presente, bem bonita e que ainda não tirei do braço.

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Castelo de São Jorge

Depois disso, achei o tal Castelo de São Jorge. A entrada custa oito euros, mas paguei quatro porque tenho a carteira de estudante internacional. Achei um pouco caro (sou pirangueira mesmo, bgs), mas valeu a pena. Logo na entrada, dá para ver boa parte de Lisboa e descansar da subida em um pátio bem bonito. Também é possível caminhar pelo interior do castelo e subir para suas ameias, ainda há até alguns canhões por lá. Andei tudo sozinha, mas de meia em meia hora saem passeios guiados de dentro do castelo. Na descida, fui para o outro lado do pátio, onde há um restaurante, uns pavões e um museu arqueológico, que conta com utensílios feitos pelos povos que viveram naquele local desde a Idade da Pedra.

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O pátio do castelo

Por dentro do castelo

Por dentro do castelo

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No café do castelo olhando Lisboa

Passei umas duas horas no castelo e voltei à Praça do Comércio, de onde segui para o Rossio. O Rossio é um bairro que tem uma estação de metro linda e umas praças bem legais, como a Martim Moniz e a que abriga o Monumento aos Restauradores. No caminho de volta ao Cais Sodré, encontrei por acaso o Elevador de Santa Justa, que foi construído em ferro por um discípulo de Gustave Eiffel em 1902. Ainda dá para subir no elevador de 45 metros e apreciar a vista, mas é preciso pagar cinco euros. Não subi hehe.

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Praça do Rossio

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Elevador de Santa Justa

Continuei andando por uma avenida cheia de lojas até que escutei o som do fado. Sai procurando uma cantora perdida por ai e encontrei um carro antigo tocando o ritmo português com um senhor no seu interior vendendo cd’s. No fim disso tudo, cheguei ao cais, conheci a Pingo Doce e suas gordices e voltei para Almada.

Ah, detalhe, visitei todos esses lugares andando. Alguns são um pouco mais longe, mas dá para ir caminhandi tranquilamente se você tiver com vontade de conhecer a cidade de perto. Já os portugueses parecem achar isso um absurdo. Sempre que perguntava onde ficava alguma coisa, eles diziam que era longe para ir a pé. Mesmo preguiçosos, foram legais e mostraram o caminho certinho.

Conhecendo Lisboa

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Meus primeiros dias em Portugal estão sendo de férias. Acordo tarde e vou turistar ou andar sem rumo por Lisboa mesmo. Assim, conheço as atrações da cidade e ainda vou descobrindo seu ritmo e o estilo de vida português. Isso tem ocupado muito tempo e mostrado lugares lindos. Por isso, poucas palavras e muitas fotos nas redes sociais, desculpem (?) hehe.

Mas agora, que já subi ladeiras demais por hoje, vou aproveitar para escrever um pouco e contar o que já vi por aqui. Vamos vamos por partes, primeiro vou falar um pouco das minhas impressões gerais, depois mato a curiosidade de todos com as fotos dos pontos turísticos.

1. Lisboa e os portugueses

Nesses dois dias, andei um bocado por Lisboa. Adorei as ruas estreitas, as praças, os prédios e os monumentos, mas o que me encanta mesmo são as vivendas. Pode parecer besteira, mas adoro aquelas casas antigas de dois ou três andares, com paredes coloridas e varandas proporcionais. E aqui é só o que se vê. Tem vivenda vermelha, amarela, rosa, azul, nova, velha. Muitas têm lojas e cafés modernos no térreo, mas preservam o ar histórico nos andares superiores. É massa andar reparando nisso, embora você aparente um pouco abestalhada para quem mora aqui e nem liga mais para as casinhas.

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Além de bonitinhas, as ruas são bem limpas. Há lixeiro em todo canto e as calçadas são bem cuidadas. O trânsito também é tranquilo. O transporte público funciona muito bem e você pode escolher entre metro, autocarro (ônibus) ou elétrico (bonde). O metro é o mais usado, já o elétrico é o preferido dos turistas, porque passa pelos principais pontos turísticos, mas também dá para observar a cidade nos ônibus, porque boa parte das suas laterais é de vidro. Para os turistas também há os tuks-tuks, que são carros bem pequenos, abertos e coloridos cujos motoristas são quase guias turísticos. São bem fofos e parecem com os automóveis indianos. Mesmo com essa variedade, o trânsito flui muito bem, sem engarrafamentos quilométricos como no Recife. Só vi mais de dez carros parados juntos à noite, quando o sinal estava vermelho e muita gente ia para casa depois do trabalho.

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O tuk-tuk no Terreiro do Paço

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O elétrico 28

Andar a pé também não é difícil. Há muitas faixas de pedestres e os portugueses respeitam os peões (pedestres). Os motoristas sempre param para nós atravessarmos, é só ficar junto da rua. Para a gente que é do Brasil chega a ser estranho, eu mesma já fiquei umas duas vezes sem saber se podia atravessar até os motoristas pedirem para eu passar. Mas é bom ficar atento, porque essa regra não vale para onde há semáforos. Então, nessas ruas, a gente tem que esperar nosso sinal ficar verde mesmo.

Outra coisa legal são os cafés e os restaurantes (aquelas gordinhas), que ficam nas calçadas ou no meio das ruas em que não passam carros. São todos bem charmosos e convidativos. Muitos ainda apelam e deixam as vitrines cheias de doces lindos. Por isso, tomar um café e comer um pastel de nata é ainda mais obrigatório. Claro que não podia fugir à regra e fiz isso na saída do Castelo de São Jorge. O café, ou bica, é bem mais forte que o do Brasil, mas é só caprichar no açúcar que fica no ponto. Já o pastel é realmente uma delícia, mas achei muito doce e acredito que não vou viciar, só vou saborear de vez em quando porque não dá para resistir tanto (a balança agradece).

O tal pastel de nata

O tal pastel de nata

E comer aqui é bem barato, gastei 1,70 euro nesse lanche, que foi até caro porque era um café legal em um ponto turístico. No outro dia, conheci a querida e famosa Pingo Doce e só gastei 1,09 euro com um café e um misto quente. Nos restaurantes maiores a refeição é mais cara, claro. Mas ninguém leva um susto na hora de pagar a conta porque muitos estabelecimentos deixam os cardápios expostos do lado de fora. É ótimo para nós turistas, porque dá para ver as opções e os preços antes mesmo de entrar, aí fica fácil escolher o melhor lugar pra comer.

Turista aqui realmente não sofre muito. Andei dois dias sozinha e não me senti realmente perdida. As ruas são bem sinalizadas e várias placas indicam os pontos turísticos. Além disso, muitos portugueses foram simpáticos e me mostraram o caminho com calma quando perguntei. Também encontrei muitos turistas (nunca vi tanto chinês na minha vida), então foi fácil me achar – ainda aproveitei para treinar o inglês.

Claro que também encontrei alguns portugueses chatos que quase não ajudaram, mas até agora tenho gostado deles. O maior problema é mesmo a língua. Eles falam muito rápido e usam expressões bem diferentes das nossas, então ainda demoro um pouco para entender algumas coisas. Mas eles não se aborreceram até agora, uns só acharam um pouco de graça, e repetiram sem problema. Dica: nos primeiros dias fiz o sonoro hã quando não entendi nada, mas hoje me falaram que o mais educado é falar “não percebo” nessas horas que eles falam novamente de boa.

Na verdade, só teve um momento que fiquei bastante chateada com os portugueses e até lembrei da história de xenofobia em Coimbra que está rolando pelo Brasil. Estava tirando uma foto no Monumento aos Restauradores e um homem perguntou se eu era brasileira. Respondi que sim e ele disse que eu era muito bonita. Agradeci e dei as costas, mas ele ficou falando que não queria meu obrigada, queria minha companhia. Fiquei arretada e entrei desabalada numa loja, até que ele sumiu e eu pude sair sem problemas. Nesse mesmo dia ouvi um fiu-fiu numa rua mais deserta. Achei chato, mas minha maior raiva foi descobrir que esse hábito feio do brasileiro já chegou por aqui. No mais, foi tudo maravilhoso. Os portugueses têm sido simpáticos, prestativos e até pacientes com minha língua. Posso continuar muito bem assim.

Ah, outra coisa. Aqui está em época de saldos (promoção de fim de estação). Mesmo com o inverno prometendo piorar agora em fevereiro, todas as lojas estão com as vitrines cheias de placas de descontos. Já vi até casaco de 3 euros, mas estou me guardando para ir na Primark na próxima semana exercitar meu lado consumista, ou, de um jeito mais bonito, comprar os casacos que serão necessários em Coimbra. Essa notícia é ótima para nós que estamos chegando agora e precisamos renovar o guarda-roupa, mas os portugueses não parecem muito animados. Embora os descontos sejam tentadores, muitas das lojas permanecem vazias.

Pode ser viagem da minha cabeça, mas acho que ainda é um reflexo da crise que se alastrou pelo país. Muita gente parece ainda estar economizando ou precisando de dinheiro. Nas partes mais afastadas do centro, há muitas casas para vender a preços bem baixos e já me falaram que antigamente não era assim. De todo jeito, alguns portugueses parecem esperançosos e acreditam que a economia está prestes a melhorar. Por outro lado, as paredes soltam insultos ao governo. Como não entendo muito disso, não sei bem qual a situação do país, mas vou me informar e espero que os novos planos econômicos funcionem.

De certeza, só tenho uma: funerária parece ser um bom negócio por aqui. Em Almada, há pelo menos três. E os carros são macabros, porque a parte de trás é transparente e deixa os caixões à mostra. Me acalmaram dizendo que cobrem os caixões de flores, mesmo assim quero continuar vendo os carros vazios. E aqui pelos arredores de Lisboa tem muita gente idosa. Os cafés ficam cheios de senhores no final da tarde, enquanto as senhoras vão fazer compras. A agitação fica mesmo para o centro da capital, que tem muitos jovens e turistas.

O primeiro dia em Almada

DSC00144 Almada fica a cerca de 15 minutos de carro do centro de Lisboa. É uma cidade pequena e tranquila, bem residencial. As casas (chamadas de vivendas) são mais novas que as da capital, mas preservam o estilo lisboeta: sobrados baixos, proporcionais e com varandas. Ficarei aqui até a próxima quarta-feira (5), quando minha amiga Luiza chega em Portugal. Nós vamos estudar e morar juntas em Coimbra, então vou esperá-la para pegarmos o comboio para o Norte juntas.

Meu plano é aproveitar esse tempo para conhecer Lisboa. Além disso, achava que não teria muito o que fazer em Almada, mas me surpreendi noprimeiro dia. Depois de deixar as malas na casa de Tânia, fui dar uma volta no centro da cidade. Caminhei um bocado para conhecer o lugar e me adaptar ao clima. Observei as casas, as pessoas e a primeira coisa que descobri é que as paredes de Almada falam. Por todo canto há grafitagens e pichações que dão um ar mais vivo à cidade. Além dos desenhos, vi mensagens do tipo a parede é do artista; metro de merda; passos te ensinei, sem bengalas fiquei; e you’re only young once, so do it right.

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No fim do caminho, cheguei ao ponto turístico daqui: o cais de Casillas (um beijo pro espanhol que é lindo e me fez decorar o nome hehe). É de lá que sai o barco para Lisboa e de onde se tem uma vista incrível da capital portuguesa. Vemos ao longe as casinhas coloridas com os tetos de telha e, do outro lado, a Ponte 25 de Abril. O vento é bem forte, por isso o frio aumenta bastante, mas fiquei um pouco por ali para aproveitar a vista. Dá para ficar tanto no lugar de onde saem os barcos quanto mais para o lado da ponte, onde estacionam carros perto de umas casas antigas. É um pouco mais vazio, mesmo tendo alguns restaurantes; mas achei a vista mais bonita, então fiquei por ali mesmo.

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Quando fiquei com muito frio, fui para o outro lado do cais, onde fica o farol de Casillas e a fragata D. Fernando II e Glória. A fragata foi construída em 1843 e transportou mercadorias entre Portugal e a Índia durante 33 anos. Depois disso, ficou encalhada no Rio Tejo. Em 1992, foi destruída por um incêndio, mas depois foi restaurada pela Marinha e virou um museu.

A fragada fica encalhada em um buraco enorme, do lado de um submarino tão grande quanto ela. De longe, pode-se ver suas velas e sua bandeira de Portugal. O navio tem quase 87 metros de extensão e 20 de largura e é impressionante de perto. Fica até difícil pensar como construíram tudo isso há tanto tempo.

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Pagando 1,5 euro pode-se entrar na fragata e visitar seus quatro níveis – a proa e três níveis para baixo, tudo tão bem cuidado que parece pronto para o mar. Na proa, podemos ver os canhões e os apetrechos típicos de um navio. No primeiro nível, há mais canhões, que só estavam ali para defesa dos piratas, porque a fragata não participou de nenhuma guerra. Mais para baixo, ficam as mesas e as redes dos escravos. Por fim, a sala riquíssima do capitão de um lado e os elementos de controle da embarcação. No fim do passeio, ainda conversei com o senhor da bilheteria e descobri que ele é de Coimbra. Ele adorou saber que eu ia estuda lá e me deu algumas dicas sobre o norte português.

Depois de tudo isso, voltei para a clínica onde Tânia trabalha. Já eram quase 20h, então fui para casa. Comi e sentei para escrever um pouco aqui, mesmo sem internet. Mas, depois de meia hora, um sono assustador se apossou de mim. Todo o cansaço da viagem veio de uma vez e eu apaguei antes das 21h, só acordei na quinta pela manhã, doida para ir a Lisboa.

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As vivendas de Almada

O voo

Meu voo estava programado para as 22h45 de terça-feira (28 de janeiro), mas atrasou porque os controladores de voo de Lisboa estavam em greve. Entrei na sala de embarque às 22h, mas só fui para o avião às 23h10 e decolei às 23h40. Mesmo assim, cheguei em Lisboa apenas 20 minutos depois do previsto, às 9h40 locais.

Apesar do atraso, a viagem foi bem tranquila. Os primeiros minutos foram um pouco tumultuados, porque havia muitas crianças no avião e algumas estavam chorando. Mas, logo depois que as luzes se apagaram, elas se acalmaram e a paz reinou. Nem turbulências nos incomodaram.

Depois de uma noite curta, dormi facilmente no avião e só acordei na hora da refeição porque minha vizinha de assento me acordou hehe. Era uma pernambucana falante que mora na Espanha há sete anos e estava chateada porque havia perdido o Victoria Secrets novo no check-in. No início, achei que ia ser uma companhia pedante, mas ela acabou se revelando uma pessoa divertida.

Falando em comida, a TAP está de parabéns. Mesmo com tendo saído tarde, serviram o jantar completo, com salada, pão e queijo processado de entrada; arroz, carne e legumes de prato principal; e pudim de chocolate de sobremesa. Nas bebidas, água, refrigerante, suco, cerveja e vinho, além de café e chá. Pela manhã, também foi servido um sanduíche de queijo e peito de frango defumado como pequeno almoço “café da manhã”.

Depois disso, só faltava uma hora e meia para a aterrissagem e não dormi de novo. Aproveitei para assistir a um episódio de Game of Thrones e um pedacinho de Downton Abbey, além de ver Lisboa lá de cima.

A aterrissagem foi tranquila e, quando abri a janela, me deparei com um arco-íris no céu nublado. Dizem que arco-íris dão sorte. Espero que seja verdade, porque a aventura está só começando! Também passei sem dificuldades pela imigração, só precisei apresentar meu passaporte. Depois, foi só pegar as malas, que estavam do jeito que eu tinha deixado.

Logo que saí, encontrei minha prima Tânia e seu marido Oscarlos. Eles moram em Portugal há sete anos e foi ótimo revê-la. Agora, eles vivem em Almada, que fica a cerca de 15 minutos de Lisboa, e me levaram para lá na saída do aeroporto. Fomos de carro e passamos pela Ponte 25 de Abril, aquela grande e vermelha, mas as histórias de Almada vão ficar para o próximo post.

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Uma pausa na vida de repórter

Demorei um bocado para escrever esse texto e ainda não sei muito bem o que dizer, mas não podia deixar de registrar a despedida do estágio. Nos últimos 14 meses, boa parte dos meus dias se passou na redação do Jornal do Commercio. Passou rápido, é verdade. Mas ao mesmo tempo trouxe tanto aprendizado, tanta coisa para contar e tanta gente querida que parece muito mais.

Ir para a redação sem saber o que me ocuparia nas próximas horas, conhecer uma história nova e trabalhar para contá-la da melhor forma possível virou um hábito. No começo era na bancada do online, depois foi na equipe de Cidades. Mas as despedidas do intercâmbio também chegaram por aqui e agora esse costume vai ter que ficar guardado por pelo menos seis meses. Quer dizer, só oficialmente, porque algumas histórias podem continuar sendo contadas por aqui, afinal, jornalista que é jornalista nunca deixa de arruar e escrever.

Minha última matéria foi publicada ontem, mas meu último dia no jornal foi na mesmo sexta-feira. Como acontece em qualquer despedida, o coração ficou pequeno na hora de dar tchau aos companheiros de batente que viraram amigos. Adiei a saída pelo tempo que foi possível. Escrevi a matéria com mais calma que o normal, passei mais tempo no café, orientei a amiga que ficou no meu lugar e finalmente sai. Antes, abracei todos que me ajudaram a aprender a ser jornalista. Poderia dizer muita coisa a cada um dos editores, repórteres, fotógrafos e designers, mas a verdade é que só pude agradecer pelo tempo e pelas pautas que dividimos.

Continuo sem saber como expressar muito bem minha admiração e gratidão, mas quero dizer que todos são incríveis e me ensinaram mais coisa do que eu poderia imaginar. Foi massa passar esse tempo com vocês, conversar, tomar café e trabalhar também. Não é novidade para ninguém que vida de jornalista não é fácil, mas a verdade é que vou sentir falta de tudo isso, talvez até das pautas complicadas que me prendiam o dia inteiro no jornal. Mas quero acreditar que foi só um até logo.

Um até logo para as pessoas e também para a rotina de repórter que me fez conhecer muita gente e ouvir muita história. Gente como Paulinho, que catava latas no Canal do Arruda; Dona Tiene, que sofria com a ideia de perder a casa em que morava há mais de 20 anos no Coque; e Denise, que passou dez dias com o braço quebrado esperando uma cirurgia. Também conheci Galo de Souza, Dona Mira e seus saquinhos de São Cosme e Damião, o pessoal do Bike Anjos e muita gente boa que ama o próximo e sua cidade. Nessas andanças, sai do Recife e passei por Olinda, Jaboatão, Paulista, Itapissuma, Cabo e Moreno. Até dentro do próprio Recife conheci muitos lugares que só tinha ouvido falar.

Cada dia era uma descoberta nova e cada descoberta me fez um pouco mais humana, mais cidadã e também mais preparada para encarar os desafios que vêm pela frente, no Além Mar e por aqui também. Obrigada por tudo, JC! Quem sabe um dia eu volte a usar esse crachá, que, como disse no Facebook, tem o nome errado e a foto feia, mas vai fazer uma falta danada.

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Habemus quarto!

Sexta-feira normalmente já é um dia bom. Mas esta começou especialmente feliz. Assim que acordei, recebi uma mensagem maravilhosa de Coimbra: o quarto está certo! Isso mesmo! A vida de sem-teto finalmente acabou! Depois de semanas procurando um lugar para morar, consegui fechar negócio em  um quarto massa de uma simpática casa rosa da região de Santa Cruz. Foi tanta enrolação para cortar essa pendência da listinha de obrigações que a ficha ainda nem caiu. Mas, Rua Saragoça, lá vamos nós!

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Encontrei esta casa há algumas semanas, em uma das intermináveis buscas no OLX e nos grupos de estudantes do Facebook. Gostei da localização, a cerca de 15 minutos da Faculdade de Letras, da disposição dos quartos e do preço. Então, entrei em contato com o senhorio, que por sinal foi super prestativo e atencioso. Ele esclareceu todas as dúvidas, mandou algumas fotos e até tentou montar um quarto duplo, já que vou viajar com uma amiga – Luiza, que também estuda jornalismo na UFPE.

Ontem, recebemos as últimas imagens da casa e fiquei um tanto quanto empolgada com o quarto. Nós iríamos dividir o maior, mas acabou ficando apertado. Então, resolvemos alugar dois quartos individuais mesmo. Vamos morar no 1º piso da casa, uma do lado da outra. Os quartos têm duas janelas amplas e bem bonitas, uma cama grande, um guarda-roupa enorme e até uma poltrona. Como somos duas, ainda vamos ganhar uma TV como brinde.

1604185_806084112750888_954557008_o O aluguel ficou por 160 euros mensais com todas as despesas inclusas – água, gás, internet, TV, limpeza semanal e cozinha. Muitos senhorios exigem um depósito antecipado, mas este disse que não era necessário (“se me der a sua palavra, deixo reservado para si, sou uma pessoa honesta e de palavra”). Então, só pagaremos quando chegarmos lá. Mas ele é tão legal que vou levar uma havaiana de presente também hehe.

1596377_806083542750945_369303645_oA casa parece ser organizada e tem tudo: microondas, fogão, geladeira, máquina de lavar roupa e até os tradicionais azulejos portugueses para alegrar os corredores. No total, há oito quartos  e todos são alugados a estudantes – meninas para evitar “confusões” segundo o senhorio. Ele, aliás, já explicou tudo que temos que fazer para chegar lá, mandou até a página que vende as passagens e tem os horários dos comboios de Lisboa para Coimbra.

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Que tal, Rua Saragoça!?

A rua também parece ser bem agradável. É residencial na maior parte e cheia de sobrados, muitos também alugados a estudantes, pelo que soube. Mas meu vizinho é mesmo uma padaria, ou pastelaria (de fome não morro, apenas engordo hehe)! Pertinho, também há uma farmácia e uma pizzaria. Espero que tudo seja tão legal como no Street View, mas agora vou voltar ao trabalho, afinal hoje é o meu último dia no jornal e a despedida tem que ser em grande estilo.

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As janelas hehe