Conhecendo Lisboa

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Meus primeiros dias em Portugal estão sendo de férias. Acordo tarde e vou turistar ou andar sem rumo por Lisboa mesmo. Assim, conheço as atrações da cidade e ainda vou descobrindo seu ritmo e o estilo de vida português. Isso tem ocupado muito tempo e mostrado lugares lindos. Por isso, poucas palavras e muitas fotos nas redes sociais, desculpem (?) hehe.

Mas agora, que já subi ladeiras demais por hoje, vou aproveitar para escrever um pouco e contar o que já vi por aqui. Vamos vamos por partes, primeiro vou falar um pouco das minhas impressões gerais, depois mato a curiosidade de todos com as fotos dos pontos turísticos.

1. Lisboa e os portugueses

Nesses dois dias, andei um bocado por Lisboa. Adorei as ruas estreitas, as praças, os prédios e os monumentos, mas o que me encanta mesmo são as vivendas. Pode parecer besteira, mas adoro aquelas casas antigas de dois ou três andares, com paredes coloridas e varandas proporcionais. E aqui é só o que se vê. Tem vivenda vermelha, amarela, rosa, azul, nova, velha. Muitas têm lojas e cafés modernos no térreo, mas preservam o ar histórico nos andares superiores. É massa andar reparando nisso, embora você aparente um pouco abestalhada para quem mora aqui e nem liga mais para as casinhas.

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Além de bonitinhas, as ruas são bem limpas. Há lixeiro em todo canto e as calçadas são bem cuidadas. O trânsito também é tranquilo. O transporte público funciona muito bem e você pode escolher entre metro, autocarro (ônibus) ou elétrico (bonde). O metro é o mais usado, já o elétrico é o preferido dos turistas, porque passa pelos principais pontos turísticos, mas também dá para observar a cidade nos ônibus, porque boa parte das suas laterais é de vidro. Para os turistas também há os tuks-tuks, que são carros bem pequenos, abertos e coloridos cujos motoristas são quase guias turísticos. São bem fofos e parecem com os automóveis indianos. Mesmo com essa variedade, o trânsito flui muito bem, sem engarrafamentos quilométricos como no Recife. Só vi mais de dez carros parados juntos à noite, quando o sinal estava vermelho e muita gente ia para casa depois do trabalho.

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O tuk-tuk no Terreiro do Paço

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O elétrico 28

Andar a pé também não é difícil. Há muitas faixas de pedestres e os portugueses respeitam os peões (pedestres). Os motoristas sempre param para nós atravessarmos, é só ficar junto da rua. Para a gente que é do Brasil chega a ser estranho, eu mesma já fiquei umas duas vezes sem saber se podia atravessar até os motoristas pedirem para eu passar. Mas é bom ficar atento, porque essa regra não vale para onde há semáforos. Então, nessas ruas, a gente tem que esperar nosso sinal ficar verde mesmo.

Outra coisa legal são os cafés e os restaurantes (aquelas gordinhas), que ficam nas calçadas ou no meio das ruas em que não passam carros. São todos bem charmosos e convidativos. Muitos ainda apelam e deixam as vitrines cheias de doces lindos. Por isso, tomar um café e comer um pastel de nata é ainda mais obrigatório. Claro que não podia fugir à regra e fiz isso na saída do Castelo de São Jorge. O café, ou bica, é bem mais forte que o do Brasil, mas é só caprichar no açúcar que fica no ponto. Já o pastel é realmente uma delícia, mas achei muito doce e acredito que não vou viciar, só vou saborear de vez em quando porque não dá para resistir tanto (a balança agradece).

O tal pastel de nata

O tal pastel de nata

E comer aqui é bem barato, gastei 1,70 euro nesse lanche, que foi até caro porque era um café legal em um ponto turístico. No outro dia, conheci a querida e famosa Pingo Doce e só gastei 1,09 euro com um café e um misto quente. Nos restaurantes maiores a refeição é mais cara, claro. Mas ninguém leva um susto na hora de pagar a conta porque muitos estabelecimentos deixam os cardápios expostos do lado de fora. É ótimo para nós turistas, porque dá para ver as opções e os preços antes mesmo de entrar, aí fica fácil escolher o melhor lugar pra comer.

Turista aqui realmente não sofre muito. Andei dois dias sozinha e não me senti realmente perdida. As ruas são bem sinalizadas e várias placas indicam os pontos turísticos. Além disso, muitos portugueses foram simpáticos e me mostraram o caminho com calma quando perguntei. Também encontrei muitos turistas (nunca vi tanto chinês na minha vida), então foi fácil me achar – ainda aproveitei para treinar o inglês.

Claro que também encontrei alguns portugueses chatos que quase não ajudaram, mas até agora tenho gostado deles. O maior problema é mesmo a língua. Eles falam muito rápido e usam expressões bem diferentes das nossas, então ainda demoro um pouco para entender algumas coisas. Mas eles não se aborreceram até agora, uns só acharam um pouco de graça, e repetiram sem problema. Dica: nos primeiros dias fiz o sonoro hã quando não entendi nada, mas hoje me falaram que o mais educado é falar “não percebo” nessas horas que eles falam novamente de boa.

Na verdade, só teve um momento que fiquei bastante chateada com os portugueses e até lembrei da história de xenofobia em Coimbra que está rolando pelo Brasil. Estava tirando uma foto no Monumento aos Restauradores e um homem perguntou se eu era brasileira. Respondi que sim e ele disse que eu era muito bonita. Agradeci e dei as costas, mas ele ficou falando que não queria meu obrigada, queria minha companhia. Fiquei arretada e entrei desabalada numa loja, até que ele sumiu e eu pude sair sem problemas. Nesse mesmo dia ouvi um fiu-fiu numa rua mais deserta. Achei chato, mas minha maior raiva foi descobrir que esse hábito feio do brasileiro já chegou por aqui. No mais, foi tudo maravilhoso. Os portugueses têm sido simpáticos, prestativos e até pacientes com minha língua. Posso continuar muito bem assim.

Ah, outra coisa. Aqui está em época de saldos (promoção de fim de estação). Mesmo com o inverno prometendo piorar agora em fevereiro, todas as lojas estão com as vitrines cheias de placas de descontos. Já vi até casaco de 3 euros, mas estou me guardando para ir na Primark na próxima semana exercitar meu lado consumista, ou, de um jeito mais bonito, comprar os casacos que serão necessários em Coimbra. Essa notícia é ótima para nós que estamos chegando agora e precisamos renovar o guarda-roupa, mas os portugueses não parecem muito animados. Embora os descontos sejam tentadores, muitas das lojas permanecem vazias.

Pode ser viagem da minha cabeça, mas acho que ainda é um reflexo da crise que se alastrou pelo país. Muita gente parece ainda estar economizando ou precisando de dinheiro. Nas partes mais afastadas do centro, há muitas casas para vender a preços bem baixos e já me falaram que antigamente não era assim. De todo jeito, alguns portugueses parecem esperançosos e acreditam que a economia está prestes a melhorar. Por outro lado, as paredes soltam insultos ao governo. Como não entendo muito disso, não sei bem qual a situação do país, mas vou me informar e espero que os novos planos econômicos funcionem.

De certeza, só tenho uma: funerária parece ser um bom negócio por aqui. Em Almada, há pelo menos três. E os carros são macabros, porque a parte de trás é transparente e deixa os caixões à mostra. Me acalmaram dizendo que cobrem os caixões de flores, mesmo assim quero continuar vendo os carros vazios. E aqui pelos arredores de Lisboa tem muita gente idosa. Os cafés ficam cheios de senhores no final da tarde, enquanto as senhoras vão fazer compras. A agitação fica mesmo para o centro da capital, que tem muitos jovens e turistas.

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