O primeiro dia em Almada

DSC00144 Almada fica a cerca de 15 minutos de carro do centro de Lisboa. É uma cidade pequena e tranquila, bem residencial. As casas (chamadas de vivendas) são mais novas que as da capital, mas preservam o estilo lisboeta: sobrados baixos, proporcionais e com varandas. Ficarei aqui até a próxima quarta-feira (5), quando minha amiga Luiza chega em Portugal. Nós vamos estudar e morar juntas em Coimbra, então vou esperá-la para pegarmos o comboio para o Norte juntas.

Meu plano é aproveitar esse tempo para conhecer Lisboa. Além disso, achava que não teria muito o que fazer em Almada, mas me surpreendi noprimeiro dia. Depois de deixar as malas na casa de Tânia, fui dar uma volta no centro da cidade. Caminhei um bocado para conhecer o lugar e me adaptar ao clima. Observei as casas, as pessoas e a primeira coisa que descobri é que as paredes de Almada falam. Por todo canto há grafitagens e pichações que dão um ar mais vivo à cidade. Além dos desenhos, vi mensagens do tipo a parede é do artista; metro de merda; passos te ensinei, sem bengalas fiquei; e you’re only young once, so do it right.

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No fim do caminho, cheguei ao ponto turístico daqui: o cais de Casillas (um beijo pro espanhol que é lindo e me fez decorar o nome hehe). É de lá que sai o barco para Lisboa e de onde se tem uma vista incrível da capital portuguesa. Vemos ao longe as casinhas coloridas com os tetos de telha e, do outro lado, a Ponte 25 de Abril. O vento é bem forte, por isso o frio aumenta bastante, mas fiquei um pouco por ali para aproveitar a vista. Dá para ficar tanto no lugar de onde saem os barcos quanto mais para o lado da ponte, onde estacionam carros perto de umas casas antigas. É um pouco mais vazio, mesmo tendo alguns restaurantes; mas achei a vista mais bonita, então fiquei por ali mesmo.

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Quando fiquei com muito frio, fui para o outro lado do cais, onde fica o farol de Casillas e a fragata D. Fernando II e Glória. A fragata foi construída em 1843 e transportou mercadorias entre Portugal e a Índia durante 33 anos. Depois disso, ficou encalhada no Rio Tejo. Em 1992, foi destruída por um incêndio, mas depois foi restaurada pela Marinha e virou um museu.

A fragada fica encalhada em um buraco enorme, do lado de um submarino tão grande quanto ela. De longe, pode-se ver suas velas e sua bandeira de Portugal. O navio tem quase 87 metros de extensão e 20 de largura e é impressionante de perto. Fica até difícil pensar como construíram tudo isso há tanto tempo.

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Pagando 1,5 euro pode-se entrar na fragata e visitar seus quatro níveis – a proa e três níveis para baixo, tudo tão bem cuidado que parece pronto para o mar. Na proa, podemos ver os canhões e os apetrechos típicos de um navio. No primeiro nível, há mais canhões, que só estavam ali para defesa dos piratas, porque a fragata não participou de nenhuma guerra. Mais para baixo, ficam as mesas e as redes dos escravos. Por fim, a sala riquíssima do capitão de um lado e os elementos de controle da embarcação. No fim do passeio, ainda conversei com o senhor da bilheteria e descobri que ele é de Coimbra. Ele adorou saber que eu ia estuda lá e me deu algumas dicas sobre o norte português.

Depois de tudo isso, voltei para a clínica onde Tânia trabalha. Já eram quase 20h, então fui para casa. Comi e sentei para escrever um pouco aqui, mesmo sem internet. Mas, depois de meia hora, um sono assustador se apossou de mim. Todo o cansaço da viagem veio de uma vez e eu apaguei antes das 21h, só acordei na quinta pela manhã, doida para ir a Lisboa.

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As vivendas de Almada

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O voo

Meu voo estava programado para as 22h45 de terça-feira (28 de janeiro), mas atrasou porque os controladores de voo de Lisboa estavam em greve. Entrei na sala de embarque às 22h, mas só fui para o avião às 23h10 e decolei às 23h40. Mesmo assim, cheguei em Lisboa apenas 20 minutos depois do previsto, às 9h40 locais.

Apesar do atraso, a viagem foi bem tranquila. Os primeiros minutos foram um pouco tumultuados, porque havia muitas crianças no avião e algumas estavam chorando. Mas, logo depois que as luzes se apagaram, elas se acalmaram e a paz reinou. Nem turbulências nos incomodaram.

Depois de uma noite curta, dormi facilmente no avião e só acordei na hora da refeição porque minha vizinha de assento me acordou hehe. Era uma pernambucana falante que mora na Espanha há sete anos e estava chateada porque havia perdido o Victoria Secrets novo no check-in. No início, achei que ia ser uma companhia pedante, mas ela acabou se revelando uma pessoa divertida.

Falando em comida, a TAP está de parabéns. Mesmo com tendo saído tarde, serviram o jantar completo, com salada, pão e queijo processado de entrada; arroz, carne e legumes de prato principal; e pudim de chocolate de sobremesa. Nas bebidas, água, refrigerante, suco, cerveja e vinho, além de café e chá. Pela manhã, também foi servido um sanduíche de queijo e peito de frango defumado como pequeno almoço “café da manhã”.

Depois disso, só faltava uma hora e meia para a aterrissagem e não dormi de novo. Aproveitei para assistir a um episódio de Game of Thrones e um pedacinho de Downton Abbey, além de ver Lisboa lá de cima.

A aterrissagem foi tranquila e, quando abri a janela, me deparei com um arco-íris no céu nublado. Dizem que arco-íris dão sorte. Espero que seja verdade, porque a aventura está só começando! Também passei sem dificuldades pela imigração, só precisei apresentar meu passaporte. Depois, foi só pegar as malas, que estavam do jeito que eu tinha deixado.

Logo que saí, encontrei minha prima Tânia e seu marido Oscarlos. Eles moram em Portugal há sete anos e foi ótimo revê-la. Agora, eles vivem em Almada, que fica a cerca de 15 minutos de Lisboa, e me levaram para lá na saída do aeroporto. Fomos de carro e passamos pela Ponte 25 de Abril, aquela grande e vermelha, mas as histórias de Almada vão ficar para o próximo post.

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Chegou a hora

Ainda parece um pouco de sonho ou brincadeira, mas o grande dia finalmente chegou! As malas estão prontas e a papelada está toda resolvida. Não há mais nada pendente, talvez só um pouco de nervosismo. Mas também não há mais tempo para pensar muito no que vem pela frente. Afinal, faltam menos de duas horas para eu sair de casa em direção ao aeroporto, ou melhor, ao Velho Mundo.

O voo sai do Recife às 22h45 e deve chegar a Lisboa às 9h20. São sete horas e meia de viagem mais quatro horas de fuso horário. Pelo visto, vai ser uma noite bem curta, mas espero conseguir dormir o máximo possível, porque isso é o que eu menos tenho feito nos últimos dias. Aliás, tanta coisa aconteceu que minha última semana no Recife passou num piscar de olhos.

Boa parte disso tudo poderia ter sido dito aqui. Até pensei em alguns posts legais, mas acabei aproveitando esse tempo para fazer outras coisas. Às vezes, eram os últimos preparativos da viagem mesmo – visto, mala, VTM, etc. Mas, em muitas outras horas, estava aproveitando as pessoas e os lugares queridos que Recife guarda para mim.

Peço desculpas pelo sumiço virtual e prometo que vou tentar escrever um pouco sobre esses preparativos básicos nos próximos dias para contar meus dramas e tentar ajudar quem também tem vontade de estudar em Portugal (te espero lá, Carlinha! hehe).

Acho que meu tempo para escrever também acabou. Vou me arrumar para sair de casa. Pretendo chegar ao aeroporto pouco depois das 20h, para fazer o chek in com calma e “aproveitar” as últimas despedidas – também não aguento mais ficar em casa esperando, então me sentirei mais útil no meio dos viajantes.

E o mimimi das despedidas oficiais vai ficar para outro post, porque nesse ritual que se arrastou na última semana inteira eu comecei a descobrir as coisas que o intercâmbio vai mostrar de mim mesma. Mando mais notícias em breve, direto do solo luso!

O até logo extraoficial

Ou: A festa de despedida

Como o post anterior, este também está atrasado. Talvez seja a proximidade da viagem tirando minhas palavras, ou só preguiça mesmo. Mas, mais uma vez, não sabia o que dizer desse momento: a despedida. Ou melhor, o até logo.

Despedida extraoficial, é bom ressaltar, porque foi dez dias antes da viagem. Como sabia que ainda tinha algumas pendências para resolver nesta última semana e seria um pouco improvável encontrar todos os amigos nesses dias, aproveitei para fazer uma festinha no domingo.

Chamei familiares, amigos e companheiros de trabalho e preparei (organizei as compras, na verdade) uma bela feijoada para dar o até logo no melhor estilo brasileiro. Cerveja, brega e pagode também não ficaram de fora.

A festa começou cedo, aos poucos a galera foi chegando e quando percebi já estava rodeada de queridos. Foi uma tarde massa, cheia de risadas e abraços gostosos, que com certeza farão falta nos próximos meses. Mas uma falta boa, que vai me deixar feliz de voltar para o Brasil em agosto.

Enfim, só queria agradecer a todos que fizeram o esforço de ir me ver, mesmo com o endereço errado (desculpem, não foi por mal!). É verdade que muitos eu já revi ou ainda vou rever antes de terça-feira. Mesmo assim, foi massa ver vocês nesse momento simbólico. Ah, e quem não pôde ir também está guardadinho aqui no meu coração. Vou ficar com saudade de todos, mas quero estar sempre por perto virtualmente. Jajá eu volto e quero todos esses abraços de novo!

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Em tempo, a quatro dias da viagem, a ficha finalmente caiu e já estou olhando a cidade e as pessoas de outro jeito.  Hoje fui a Olinda e parei para observar mais demoradamente cada uma daquelas casas lindas que adoro e que só vou rever em agosto. No caminho, foi a mesma coisa, até com a padaria de todos os dias.

Com as pessoas não é diferente. Aliás, é mais forte. Cada encontro e cada abraço ganhou um gostinho especial. Estou adorando tudo, mesmo com o coração ficando apertado de vez em quando, e quero ver todos que puder nesse final de semana. Então, preparem-se para me aguentar querendo mimo nos próximos dias! Mas relevem, é só saudade antecipada. 🙂

Uma pausa na vida de repórter

Demorei um bocado para escrever esse texto e ainda não sei muito bem o que dizer, mas não podia deixar de registrar a despedida do estágio. Nos últimos 14 meses, boa parte dos meus dias se passou na redação do Jornal do Commercio. Passou rápido, é verdade. Mas ao mesmo tempo trouxe tanto aprendizado, tanta coisa para contar e tanta gente querida que parece muito mais.

Ir para a redação sem saber o que me ocuparia nas próximas horas, conhecer uma história nova e trabalhar para contá-la da melhor forma possível virou um hábito. No começo era na bancada do online, depois foi na equipe de Cidades. Mas as despedidas do intercâmbio também chegaram por aqui e agora esse costume vai ter que ficar guardado por pelo menos seis meses. Quer dizer, só oficialmente, porque algumas histórias podem continuar sendo contadas por aqui, afinal, jornalista que é jornalista nunca deixa de arruar e escrever.

Minha última matéria foi publicada ontem, mas meu último dia no jornal foi na mesmo sexta-feira. Como acontece em qualquer despedida, o coração ficou pequeno na hora de dar tchau aos companheiros de batente que viraram amigos. Adiei a saída pelo tempo que foi possível. Escrevi a matéria com mais calma que o normal, passei mais tempo no café, orientei a amiga que ficou no meu lugar e finalmente sai. Antes, abracei todos que me ajudaram a aprender a ser jornalista. Poderia dizer muita coisa a cada um dos editores, repórteres, fotógrafos e designers, mas a verdade é que só pude agradecer pelo tempo e pelas pautas que dividimos.

Continuo sem saber como expressar muito bem minha admiração e gratidão, mas quero dizer que todos são incríveis e me ensinaram mais coisa do que eu poderia imaginar. Foi massa passar esse tempo com vocês, conversar, tomar café e trabalhar também. Não é novidade para ninguém que vida de jornalista não é fácil, mas a verdade é que vou sentir falta de tudo isso, talvez até das pautas complicadas que me prendiam o dia inteiro no jornal. Mas quero acreditar que foi só um até logo.

Um até logo para as pessoas e também para a rotina de repórter que me fez conhecer muita gente e ouvir muita história. Gente como Paulinho, que catava latas no Canal do Arruda; Dona Tiene, que sofria com a ideia de perder a casa em que morava há mais de 20 anos no Coque; e Denise, que passou dez dias com o braço quebrado esperando uma cirurgia. Também conheci Galo de Souza, Dona Mira e seus saquinhos de São Cosme e Damião, o pessoal do Bike Anjos e muita gente boa que ama o próximo e sua cidade. Nessas andanças, sai do Recife e passei por Olinda, Jaboatão, Paulista, Itapissuma, Cabo e Moreno. Até dentro do próprio Recife conheci muitos lugares que só tinha ouvido falar.

Cada dia era uma descoberta nova e cada descoberta me fez um pouco mais humana, mais cidadã e também mais preparada para encarar os desafios que vêm pela frente, no Além Mar e por aqui também. Obrigada por tudo, JC! Quem sabe um dia eu volte a usar esse crachá, que, como disse no Facebook, tem o nome errado e a foto feia, mas vai fazer uma falta danada.

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Habemus quarto!

Sexta-feira normalmente já é um dia bom. Mas esta começou especialmente feliz. Assim que acordei, recebi uma mensagem maravilhosa de Coimbra: o quarto está certo! Isso mesmo! A vida de sem-teto finalmente acabou! Depois de semanas procurando um lugar para morar, consegui fechar negócio em  um quarto massa de uma simpática casa rosa da região de Santa Cruz. Foi tanta enrolação para cortar essa pendência da listinha de obrigações que a ficha ainda nem caiu. Mas, Rua Saragoça, lá vamos nós!

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Encontrei esta casa há algumas semanas, em uma das intermináveis buscas no OLX e nos grupos de estudantes do Facebook. Gostei da localização, a cerca de 15 minutos da Faculdade de Letras, da disposição dos quartos e do preço. Então, entrei em contato com o senhorio, que por sinal foi super prestativo e atencioso. Ele esclareceu todas as dúvidas, mandou algumas fotos e até tentou montar um quarto duplo, já que vou viajar com uma amiga – Luiza, que também estuda jornalismo na UFPE.

Ontem, recebemos as últimas imagens da casa e fiquei um tanto quanto empolgada com o quarto. Nós iríamos dividir o maior, mas acabou ficando apertado. Então, resolvemos alugar dois quartos individuais mesmo. Vamos morar no 1º piso da casa, uma do lado da outra. Os quartos têm duas janelas amplas e bem bonitas, uma cama grande, um guarda-roupa enorme e até uma poltrona. Como somos duas, ainda vamos ganhar uma TV como brinde.

1604185_806084112750888_954557008_o O aluguel ficou por 160 euros mensais com todas as despesas inclusas – água, gás, internet, TV, limpeza semanal e cozinha. Muitos senhorios exigem um depósito antecipado, mas este disse que não era necessário (“se me der a sua palavra, deixo reservado para si, sou uma pessoa honesta e de palavra”). Então, só pagaremos quando chegarmos lá. Mas ele é tão legal que vou levar uma havaiana de presente também hehe.

1596377_806083542750945_369303645_oA casa parece ser organizada e tem tudo: microondas, fogão, geladeira, máquina de lavar roupa e até os tradicionais azulejos portugueses para alegrar os corredores. No total, há oito quartos  e todos são alugados a estudantes – meninas para evitar “confusões” segundo o senhorio. Ele, aliás, já explicou tudo que temos que fazer para chegar lá, mandou até a página que vende as passagens e tem os horários dos comboios de Lisboa para Coimbra.

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Que tal, Rua Saragoça!?

A rua também parece ser bem agradável. É residencial na maior parte e cheia de sobrados, muitos também alugados a estudantes, pelo que soube. Mas meu vizinho é mesmo uma padaria, ou pastelaria (de fome não morro, apenas engordo hehe)! Pertinho, também há uma farmácia e uma pizzaria. Espero que tudo seja tão legal como no Street View, mas agora vou voltar ao trabalho, afinal hoje é o meu último dia no jornal e a despedida tem que ser em grande estilo.

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As janelas hehe

15 dias, mil obrigações

A duas semanas da viagem, parece que minha lista de tarefas não diminui. Documentos, vacinas, mala, dinheiro, faculdade, quarto. Tudo ainda tem algum detalhe em aberto. E, por mais que eu me esforce, as pendências não chegam ao fim. Muitos dirão que é mal de brasileiro deixar tudo para a última hora. Não nego minha parcela de culpa, mas a verdade é que fazer intercâmbio requer muita preparação e nem tudo depende só de mim.

Uma das maiores dificuldades tem sido encontrar um quarto para morar (é, ainda não tenho teto em Coimbra). Tenho dedicado pelo menos uma hora do meu dia ao OLX e seus já familiares anúncios de “quartos para arrendar”. Entrei em contato com diversas senhorias – como os portugueses chamam os donos das casas que têm cômodos alugados a estudantes. Mas, sempre que estou perto de fechar negócio, alguma coisa dá errado. É a própria senhoria que some, é a distância da universidade, é o aluguel que aumenta. Confesso que estou um pouco nervosa com a ideia de viajar sem ter onde ficar, mas espero que dessa vez realmente me deem boas respostas e que até o fim da semana eu consiga resolver isso.

Este, aliás, também é meu prazo (imaginário) para esperar o visto chegar. Depois de achar que o documento não ficaria pronto a tempo, finalmente tive o pedido aprovado na semana passada. Agora, é só esperar ele chegar ao Recife. A promessa é de que um novo malote de encomendas de Salvador vá para os Correios amanhã. Então, se tudo der certo, meu prazo será cumprido. Estou torcendo! Depois, ainda tenho que fazer o VTM (sim, resolvi encarar o IOF de 6,38%, mas explico isso depois) e tirar a carteira de vacinação internacional. Ainda bem que essas obrigações são fáceis de resolver. Qualquer dia, quando sobrar tempo, vou lá e faço. Mas o motivo da procrastinação é justamente esse: tempo.

A quinze dias da viagem, gostaria de estar focada nesses preparativos, mas a verdade é que a faculdade ainda tem me aperreado um bocado. Como o calendário acadêmico da UFPE está desregulado por causa da greve de professores de 2012, ainda estamos no meio do período, mesmo em pleno janeiro. Nossas férias só começam no final de fevereiro, então perderei algumas semanas de aula por causa da viagem. Para não perder todo o semestre, conversei com os professores e vou entregar todos os trabalhos finais antecipadamente. Depois, é só torcer para eles lembrarem da promessa e não me encherem de falta quando eu estiver em Portugal.

Como quero deixar a próxima semana inteira para resolver os últimos detalhes da viagem e tentar relaxar um pouco, porque também sou filha de Deus, estabeleci como meta desta semana terminar todos os trabalhos da faculdade. Depois de adiantar um bocado de coisa nos últimos dias, hoje fiz um fichamento, organizei um ensaio e preparei um relatório. Mesmo assim, ainda tenho que escrever uma matéria, uma crítica, fazer outro ensaio e mais um relatório. É coisa que não acaba mais, mas eu espero que as horas dessa semana passem bem devagar e eu consiga terminar tudo.

Cansei só de lembrar dessas pendências, mas não precisa mandar eu parar de escrever aqui e voltar a estudar. Sei que preciso fazer isso, mas a verdade é que agora deveria estar dormindo. São duas horas da manhã, só que as duas xícaras de café e as dezenas de páginas que folheei nas últimas horas levaram meu sono embora. Agora estou aqui, relembrando todas essas obrigações, aceitando a ideia de que amanhã não vou acordar cedo para ir à academia e torcendo para os próximos dois dias terem 48 horas para que eu tenha tempo de riscar todos os itens relativos à faculdade dessa lista de tarefas assustadora.

Mas, deixamos as mil obrigações para lá, e continuemos a contagem regressiva! 15 dias…